04/09/2005 06:46
Aos donos de tudo
Impuseram-me o convencional
E apresentaram-me o anormal.
Eu, achando que era natural,
Escolhi nem um nem outro. Que mal...
Se o meu desejo era não ser habitual,
Consegui não o ser de forma tal
Que minha vida nem parece ser real.
É a minha peleja doente e lacrimal...
Escolhi o nada sem saber
Que não era permitido escolher
E ir contra até o que contra já parecia ser...
Ser normal não é viver
E ser anormal normal também já parece ser.
Eu não posso viver nem ser. Respondei-me, donos: o que devo fazer?
O Bem e o Mal
Vi o Bem caminhando
Despreocupado pela cidade.
Passa, não reverbera, não invade,
E tudo permanece se esgotando.
Logo depois, o Mal passou rasgando
Como quem estava louco de verdade.
Oh, que trânsito caótico é a humanidade;
É o Inferno se arquitetando...
Caminhei, mas... Mesmo que tentasse
Chegar a lugar algum,
Talvez eu nunca chegasse...
O mundo é engraçado dum
Modo tal que o Bem e o Mal têm a mesma face,
Só depende do momento em que cruzam o caminho de cada um.
Comentário do Conde: Estou cansado de ouvir de todos os rumos da minha vida futura. Estou cansado de ouvir os tais "conselhos", sempre ridículos e apócrifos. Sinceramente, CANSA. Convivo com os donos da verdade, da sabedoria, da educação... Convivo, desde que nasci, com os donos de tudo... Alguns deles foram até seres especiais em outras ocasiões, mas, como disse, "o Bem e o Mal têm a mesma face". Estou farto de ser o projeto que todos queriam ter de si mesmos. Não estou aqui para atender a vossa expectativa. Que é medíocre, diga-se de passagem...
enviada por Conde Petrus
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